Documentário “Muito além do peso”

 


Os pais acham que estão mantendo os filhos seguros ao se certificar que não há traficantes em volta da escola ou que a criança não conversa com estranhos.
Acontece que há um outro vilão, muitas vezes mascarado, que vem tomando as vidas das crianças bem de frente aos olhos dos pais.
É a indústria alimentícia.
Ela foca suas estratégias maléficas nas crianças porque, uma vez que as conquista, a pessoa adquiri maus hábitos para a vida toda e se torna refém dela.
Esse tema absolutamente assustador é o assunto principal tratado no documentário
Muito Além do Peso, da diretora Estela Renner
(a mesma que denunciou a publicidade infantil no documentário Criança, a alma do negócio).
O documentário está abaixo e disponível no Youtube:
Caso não abra, o link:

Muito Além do Peso 84 min, cor, censura livre.

Site: http://www.muitoalemdopeso.com.br/

 

“Publicidade direcionada ao público infantil agora é ilegal!”
 
Em meio a tantos conflitos de interesses, no dia 13 de Março de 2014 o Brasileiro recebeu uma boa notícia: A publicidade direcionada ao público infantil é ilegal!
 
Nesta data, foi publicada a Resolução nº 163 que dispõe sobre “a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente (…)”.
 
Para quem acompanha ou já leu algumas de nossas matérias publicadas aqui no Portal Estilo de Vida Saudável, provavelmente está imaginando o quanto estamos felizes com tal vitória para a sociedade Brasileira, especialmente para os mais jovens integrantes. Porém, acompanhando um pouco da repercussão desta notícia, percebi que nem todas as pessoas estão tão satisfeitas como nós. Talvez porque sejam publicitários e temam por seus empregos, ou porque foram cegados por essa dicotomia capitalismo/comunismo.
 
Minha intenção inicial para este texto era de destacar a importância desta resolução. Apesar do meu grande interesse por escrever sobre isso, resolvi mudar um pouco o foco do texto e questionar alguns dos argumentos usados contra a resolução. Todavia, convido o leitor a tirar suas próprias conclusões sobre a necessidade de resoluções como a nº167, assistindo a esses dois documentários: “Criança: A Alma do Negócio (2011)” e “Muito Além do Peso (2013)”.
 
Li alguns comentários onde pessoas afirmam algo do tipo “a sociedade mudou, nossas crianças não são mais as mesmas de 10, 20, 30 anos atrás”. Concordo completamente com isso, contudo nem toda mudança que ocorre é para melhor, especialmente se esta é movida pelo único e exclusivo interesse de doutrinação mercadológica. Dizer que publicidade direcionada para crianças é possibilitar que ela exerça sua liberdade de escolha é uma das maiores mentiras já ditas! A liberdade de escolha deve ser embasada pelo senso crítico, que é adquirido por meio de conhecimento sobre o assunto e experiências. Agora me diga, você acha que uma criança de 5 anos tem capacidade para realizar um julgamento adequado sobre as propagandas veiculadas na TV? Ou então, discernir que o palhaço Ronald McDonald que vai até a sua escola para falar sobre o meio-ambiente (link), na verdade está fazendo uma propaganda velada de um alimento prejudicial à saúde? (Me adianto em dizer que, se até alguns adultos não percebem isso, quiçá crianças).
 
Tenho certeza que muitos adultos já se pegaram pedindo ajuda para seus filhos de 10 anos para configurar alguma coisa em seus tablets, celulares ou outros aparelhos eletrônicos. Porém, esse fato também não deve ser confundido com a capacidade de discernimento. Não podemos nos deixar sermos enganados, as campanhas de marketing não são simples exposições dos produtos pelos comerciantes, mas tentam remeter a símbolos, sensações, desejos, experiências e outras questões sensoriais e sociais para te seduzir a consumir o produto.
 
De forma bem simples, para a criança funciona assim:
1) Um personagem do momento é estampado no pacote da bolacha;
2) A criança vê isso na TV, na internet e no aplicativo do tablet/celular, que ela baixou gratuitamente e está cheio de mensagens publicitárias;
3) Ela pede (insiste ou faz chantagem emocional) e os pais compram;
4) A criança consome essa bolacha (muitas vezes o pacote inteiro de uma só vez);
5) Pronto, por conta da quantidade exorbitante de açúcar e gordura entre seus ingredientes, em menos de 30 minutos a criança terá consumido pelo menos um terço das necessidades nutricionais diárias de energia e ultrapassando a recomendação do total energético provindo de açúcares.
 
Além disso, as interações que ocorrem no organismo da criança promoverão o vício nesse tipo de alimento. Outro ponto importante, é que prejudicará a capacidade da criança em sentir outros sabores, já que agora ela está acostumada a consumir apenas produtos cheios de açúcar e gordura. Como consequência, a manutenção desse hábito alimentar conduzirá as crianças à obesidade, doenças cardiovasculares, renais e hepáticas, culminando na morte prematura ou sequelas permanentes.
 
Para outras pessoas, os fins justificam os meios, uma vez que “muitas pessoas ficarão desempregadas com essa nova resolução”, já que os publicitários perderiam seus clientes e as diferentes mídias não teriam esse dinheiro para manter a programação. Além disso, atestam que “se a criança permanece tanto tempo exposta a diferentes formas de publicidade a culpa é dos pais”. Não quero tirar a responsabilidade dos pais na educação e no estabelecimento de vínculos de seus filhos, contudo essa é uma afirmação completamente irresponsável.
 
É engraçado notar as inconsistências desses discursos, primeiramente porque o mesmo grupo de pessoas que culpam os pais pela “falta de cuidado com os filhos” são os mesmos que impõem a seus funcionários (ou sofrem com) rotinas de trabalho descabidas, o que favorece a fragilização dos laços familiares. Além disso, as afirmações sobre desemprego e a fonte de renda para a manutenção das programações são muito ingênuas, porque as empresas não vão deixar de tentar vender os seus produtos e para isso precisarão de publicitários desenvolvendo novas abordagens, que não sejam inescrupulosas e respeitem as crianças, tirando delas o foco da mensagem.
A Resolução nº167 não deve ser encarada como o governo ditando o que nossos Brasileirinhos podem ou não ver, mas sim como uma resposta legítima da sociedade civil dando um “basta!” para os abusos cometidos pela indústria de alimentos, brinquedos, moda e etc., por meio da publicidade direcionada ao público infantil.
 
A avidez por poder e lucro faz com que a indústria ignore completamente o bem-estar e a saúde da população. Nós, cidadãos e consumidores, não podemos esquecer que são eles que trabalham para nós, e não o contrário. Este é um momento histórico para a sociedade Brasileira, especialmente porque chama para a possibilidade de mudança dos padrões alimentares da população. A chave para tal mudança está em nossas mãos, gerando demandas por alimentos saudáveis a preços justos, rejeitando toda a porcaria altamente processada oferecida por eles hoje.
 
Por Jonas Silveira

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